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Descubra como é possível sequestrar CO2 e ainda obter vantagens competitivas para seu negócio rural.

O sequestro de carbono é considerado a “bola da vez” quando se trata das iniciativas de ESG. Todavia, as boas práticas que diminuem a emissão do CO2 para o agronegócio não são uma tendência passageira, afinal, o setor está preocupado na preservação dos solos.

Segundo estudos do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), o aumento da temperatura mundial em 1,5ºC é uma realidade. Assim, para reduzir os impactos das mudanças climáticas é necessário diminuir as emissões de gases de efeito estufa. Mas, como potencializar o sequestro de carbono no seu negócio rural?

Vamos te explicar! Confira a seguir quais são as boas práticas que beneficiam o balanço entre emissão e sequestro de CO2:

O que é sequestro de carbono?

O ato de sequestrar gás carbônico acontece na agricultura através da fotossíntese das plantas. Desse modo, esse termo indica o processo de exclusão do gás carbônico (CO₂) da atmosfera e a transformação em oxigênio (O₂). 

Primordialmente, as plantas captam dióxido de carbono no ar e o transformam em fotoassimilados, usados como fonte de energia por bactérias que fixam nitrogênio nas raízes. Entenda melhor como ocorre o ciclo de carbono conferindo a ilustração:

(Fonte: Embrapa)

No processo de decomposição, cerca de 15% a 25% dos resíduos são convertidos em carbono orgânico no solo. Em contrapartida, o restante vai para a atmosfera, porém, dependendo do manejo empregado, a quantidade de carbono que sai do solo varia.

Então, como em uma balança, o sequestro de carbono funciona assim: quanto maior for a entrada de resíduos culturais, maior será a atividade microbiana e menor será a emissão de CO2.

Talvez você esteja pensativo sobre como medir as emissões e sequestro de gás carbônico. Atualmente, diversos estudos desta temática estão sendo desenvolvidos. Podemos destacar iniciativas como o Carbono Bayer, que orienta produtores rurais acerca das boas práticas que reduzem a emissão de gases e melhoram a produtividade.

Disponibilizar uma Calculadora de Carbono (CTOOL) está nos planos do PRO Carbono. Além disso, a startup argentina Sima uniu-se à iniciativa, fornecendo um enorme banco de dados que armazena todo o histórico de produção e produtividade das áreas mapeadas.

Em resumo, toda a cadeia, desde o produtor, até os pesquisadores e grandes empresas terão acesso à informação que será útil para mensurar o sequestro de carbono.

Práticas agrícolas que fazem o sequestro de carbono

Atualmente, a agricultura brasileira, que é tropical, é a que mais sequestra carbono em todo o planeta. Deste modo, já estamos colaborando para reduzir as emissões de gases de efeito estufa e retardar o aquecimento global, praticando ações como:

  • Boas práticas de manejo;
  • Uso intensivo do solo, com 2 ou mais safras no mesmo ano agrícola, por exemplo.

Contudo, ainda há espaço para continuar utilizando práticas que aumentem o sequestro de carbono. Mas o que fazer para otimizar estes resultados?

Entre as iniciativas públicas, podemos citar o plano ABC, uma linha de crédito que financia boas práticas conservacionistas, coordenado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) e executado pela Embrapa e parceiros. Sua vigência, a princípio era para o período de 2010 a 2020. Contudo, em 2020 houve uma revisão que traçou os planos para os próximos dez anos, criando assim o Plano ABC+.

Em suma,  o Plano ABC é estruturado nos seguintes programas:

  1. Recuperação de Pastagens Degradadas;
  2. Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF);
  3. Sistema Plantio Direto (SPD);
  4. Fixação Biológica de Nitrogênio (FBN);
  5. Florestas Plantadas;
  6. Tratamento de Dejetos Animais;
  7. Adaptação à Mudança do Clima.

Assim, agora que você já conhece o que é recomendado por especialista para reduzir a emissão de GEE, vamos te mostrar quais são as principais boas práticas de manejo que causam o sequestro de carbono da atmosfera. Conheça-as:

Sistema de Plantio Direto

O sistema de Plantio Direto permite que o plantio/semeadura seja realizado diretamente na palhada da cultura anterior. Graças ao SPD, o produtor pode em um ano ter até três safras, no mesmo local.

Assim, essa técnica de manejo aproveita a matéria orgânica de uma plantação como cobertura do solo. Logo, o solo ganha mais nutrientes, reduzindo o uso de fertilizantes e, igualmente, fica mais úmido. Também contribui para a manutenção da temperatura  e o desenvolvimento da fauna e flora microbiana do solo. 

O processo de decomposição da planta de cobertura, dependendo da espécie, ocorre de maneira mais ou menos lenta, contribuindo para a estocagem de carbono no solo, e diminuindo as perdas para a atmosfera. Consequentemente, o carbono é estocado no solo, ou seja, há menos perdas para a atmosfera. Segundo pesquisas, no clima tropical do Brasil, um hectare sequestra em média até 0.8 toneladas de dióxido de carbono.

Processo do carbono no sistema de preparo convencional e SPD (Fonte: Esalq)

Rotação de culturas

Primordialmente, a rotação de culturas é uma técnica onde o cultivo é alternado entre diferentes espécies vegetais, no mesmo local e estação do ano, por um plano previamente definido. Diferente da sucessão de culturas, na rotação há a alternância das espécies cultivadas, ao passo que a sucessão cultiva em sequência. Exemplos:

Rotação: Ex: plantio de soja no talhão 1 – safra 22/23 e plantio de milho no talhão 1 – safra 23/24. Usar cultura diferente na mesma área em anos agrícolas diferentes.

Sucessão: Plantio de soja no verão e milho na safrinha da mesma safra 22/23.

Sua utilização destina-se a redução dos impactos ambientais e exaustão do solo, causados principalmente pela monocultura. Igualmente, a rotação evita doenças, pragas e plantas daninhas.

Mas, como ela atua no sequestro de carbono?

Com a implantação de culturas de cobertura, como as gramíneas e as leguminosas, há bastante produção de palha, resultando na compensação de carbono.

Bem como, roçagens são feitas antes do plantio da cultura e subsequentemente à colheita, resultando na formação de uma “cama verde”. Com a decomposição, é possível a conversão de 15% a 25% em carbono.

Sistema ILPF

Desenvolvido pela Embrapa, o ILPF (integração lavoura-pecuária-floresta) é uma das alternativas de manejo mais sustentáveis atualmente. 

Ele combina a produção de grãos, pastagem para o gado e madeira integradamente na mesma área, mas não tudo simultaneamente.

Pesquisas já revelaram que as sombras proporcionadas pelas árvores promovem o bem-estar do gado. Deste modo, com animais relaxados, a emissão de gás metano pela boca é menor, afinal, o gás vem do processo digestivo dos bovinos.

Por fim, o ILPF beneficia:

  • A otimização e a intensificação da ciclagem de nutrientes no solo;
  • Aprimoramento da qualidade e conservação das características produtivas do solo;
  • Manutenção da sustentabilidade e biodiversidade da agropecuária;
  • Colabora com o sequestro de carbono, contudo, a medição das emissões continua sendo objeto de pesquisa.

Como as boas práticas podem aumentar os lucros para o agronegócio?

Você sabia que dá para vender carbono? Sim, existe mercado para isso! Funciona assim:

  1. O produtor aplica as boas práticas que sequestram carbono, regulando a balança entre emissão e retenção de CO2.
  2. Como existem muitos países e empresas que desejam reduzir suas emissões ou aumentar a captura, cada tonelada do gás é convertida em um crédito, adquirido em dinheiro.
  3. As empresas e organizações procuram produtores de carbono e pagam para que eles realizem esse sequestro.

E já tem gente recebendo por isso, viu? Recentemente, nos Estados Unidos, 267 produtores foram remunerados pela Indigo, que não informou o valor da remuneração. Essas medições foram realizadas de acordo com uma metodologia específica da ONG Climate Action Reserve.

Portanto, a tendência é que os créditos de carbono se tornem a próxima commodity do agronegócio. Só em 2021, o mercado de créditos de carbono movimentou quase US$ 2 bilhões, e as “soluções baseadas na natureza” se destacaram na comercialização.

Você já sabia da importância de se sequestrar carbono? Agora que você já conhece as boas práticas que balanceiam as emissões de gás carbônico, que tal colocar em prática as ações de ESG? Isso irá beneficiar tanto a sustentabilidade ambiental quanto a sua própria permanência na atividade.

Saiba mais!

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